sábado, 25 de agosto de 2012

O DEUS “PAI” DOS ZÉ MANÉS!...

sábado, agosto 25, 2012 Posted by: Caminho em Big Field., 0 comments



Você é do tipo que só dá se os outros virem que foi você quem deu?

Você é do tipo que não vê vantagem em fazer o bem que não seja identificado como obra sua?...

Você é do tipo que jamais faria o bem a quem fosse ingrato?

Você é do tipo que boicata os filhos que não fazem a sua vontade?

A grande maioria de nós é assim...

É por isto que Jesus disse que o melhor pai entre os homens ainda é mal...

E pior:

Se o pai for cristão, muitas vezes é a partir dele mesmo que ele faz a projeção de Deus, o Pai, no mundo...

Sim, nesse caso, o Pai está preso às noções de paternidade perversa do homem!...

É por isso que o Pai “ficou” tão mal aos nossos sentidos, pois, de fato, o projetamos a partir de nós mesmos e de nossos pais.

Por esta razão o “Pai dos crentes” é tão carnal, tão caprichoso, tão mesquinho, tão cheio de barganhas, tão incomodado, tão sensível, tão não me toques, tão Zé Mané!

Tão grande Zé Mané Cósmico gera um monte Zé Manés históricos.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Silvestre Kuhlmann: Ninguém mais fala do amor

quinta-feira, agosto 23, 2012 Posted by: Caminho em Big Field., 0 comments


domingo, 19 de agosto de 2012

O reino da leveza

domingo, agosto 19, 2012 Posted by: Caminho em Big Field., 0 comments


Oferecendo concreção a um nosso sonho antiquíssimo, a ciência conduziu-nos à lua – ao signo milenar da leveza e da suspensão, e desde que foi ferido por pés humanos o astro persiste em sua intransigência de não derramar sobre nós uma gota sequer de seu néctar suave – em que se prova que só aparentemente nossos sonhos se realizaram (é dizer, que só se realizaram no campo da retórica política e da propaganda). Nossa primeira viagem à lua, nosso longamente aguardado encontro com o reino da leveza, revelou-se um tiro de pistola em uma guerra fria, ícone trágico de nossa época – essa que persegue leveza e velocidade e só encontra peso e opacidade e inércia.

O mundo da eletricidade e dos bits, belíssima ironia, não foi agraciado com movimentos mais delicados que os de uma montanha. Profusão de rodas que obstam mutuamente o fluxo; deuses de olhos incontáveis que tudo flagram e tudo gravam; leis e burocratas ditando secretamente nossos passos e infortúnios. Redes de intrincadas constrições públicas e privadas – e tudo, sentimos e ressentimos, nos esmaga.

O sítio que nos cabe é esse: a dura arquitetura dos castelos de pedra, que se elevam grotescamente tendo por alicerces a lei e a chibata. Em um tal universo, os que ousam manejar as adagas da leveza condenam-se ao exílio – os poetas, os arautos da graça. Platão os tinha por perigosos e indesejáveis. Florença não pôde tolerar seu filho mais nobre e o expurgou. O que insistiu demasiado na beleza dos lírios e na insustentável leveza de Deus foi levado a experimentar o peso inclemente da cruz.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Como perder Jesus de vista no livro de Atos

terça-feira, agosto 14, 2012 Posted by: Caminho em Big Field., 0 comments


Tente por um instante imaginar um mundo (e um cristianismo) em que o Novo Testamento consista exclusivamente nos quatro evangelhos – sua Bíblia e sua memória desconhecem os livros de Atos, Hebreus e Apocalipse e as cartas de Paulo, Pedro, Judas e João. Neste mundo imaginário conhecemos bastante sobre a vida, o caráter, os milagres e as palavras de Jesus de Nazaré. Sabemos com quem ele andava, quem o hostilizava, a quem ele distribuía tolerância e quem merecia sua impaciência. Ouvimos suas histórias, memorizamos seus ditados, trememos diante de suas exigências e somos continuamente desafiados pela sua vitalidade. Vemo-lo lavar os pés dos discípulos, comer com pecadores, abraçar leprosos, ter os pés massageados por prostitutas. Testemunhamos sua espiral voluntária em direção à morte e temos desconcertante indício de sua ressurreição.

Mas é só. Nada sabemos das aventuras de capa e espada de Atos, das austeras recomendações de Judas, das elaboradas explicações de Paulo, do novo céu de glória e da nova terra sem templo do Apocalipse.

A pergunta que faço, e que um número cada vez maior de cristãos se têm visto impelida a fazer, é: será possível ser cristão tomando o Jesus dos evangelhos – o Jesus de Nazaré narrado, morto e ressuscitado no testemunho dos evangelistas – por inteiramente suficiente? Será possível ser cristão (e ser igreja, seja lá o que isso for) sem abraçar necessariamente a teologia de Paulo e a administração eclesiástica de Atos?