quinta-feira, 27 de agosto de 2015

UM DEUS INCOMPARÁVEL!

quinta-feira, agosto 27, 2015 Posted by: Caminho em Big Field., 0 comments

Marcello Cunha



Quem é o meu Deus? Ah, o Deus que eu creio é Jesus. E eu poderia dizer apenas isso. e pronto. Mas como até Jesus virou algo apropriado pela sistematização religiosa e formatado pelo poderoso marketing-ferramenta-de-controle-poder... Digo mais algumas coisas então, interpretando um pouco do significado do Jesus que qualquer um sem pré-condicionamento cultural-religioso pode ver de forma simples nos evangelhos.

O Deus que creio não é religioso, não cabe em templos, mas também não cabe em sistemas teológicos.

Não cabe em livros de catecismo. Ora, nem na Bíblia Ele cabe.

O Deus que creio é indomesticável, incanalizável, incontrolável, insistematizável... Ele é livre.

Ele entra em todos os lugares: templos, terreiros, mesquitas, zonas de prostituição, cabanas, barracos, mansões ou becos. Ele entra até no cúmulo da abominação: nos corações humanos. De todos os humanos. Mas ninguém o sequestra. Ninguém consegue contratá-lo com alguma proposta qualquer.


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Conto: O ANJO E A MERITOCRACIA

quarta-feira, agosto 12, 2015 Posted by: Caminho em Big Field., 0 comments



Paulo Brabo

"Como alguém pode dizer o que acha justo sem saber os pri­vi­lé­gios que vai ter"

– Vejo que você está com o panfleto na mão – disse o anjo no guichê – e deve ter visto também o vídeo de cinco minutos, então já sabe como funciona. Uma pergunta sua, depois você responde uma pesquisa curta e é liberado imediatamente.

Eu tinha muito mais que uma pergunta, mas fiz que sim com a cabeça.

– Onde – eu disse, do modo mais claro e deli­be­rado que consegui.

– Onde, onde – disse o anjo, e deslizou o dedo sobre a tablet que trazia na mão. – Olha, parabéns, você vai nascer no Brasil, um país muito legal.

– Legal – eu disse.

– Diz aqui que tem a maior cobertura florestal do planeta, uma quan­ti­dade estúpida de recursos naturais, e uma parte da população está entre o 1% mais rico do mundo.

– Legal – repeti, mas agora estava sorrindo.

– Opa, atualizou aqui – ele olhou na tablet – Está igual, só esquece a maior cobertura de florestas do planeta. O resto está igual.

– Muito bem – eu disse, e mordi os lábios antes que mudasse mais alguma coisa.

– Agora a pesquisa, e para sua con­ve­ni­ên­cia tem também uma pergunta só. Estou até já emitindo aqui o seu bilhete de embarque. Tem bagagem pra despachar? Haha, só estou zoando.

– Qual é a pergunta? – eu estava impaciente.


domingo, 9 de agosto de 2015

OS MACHUCADOS FILHOS DA GRAÇA-GELOL

domingo, agosto 09, 2015 Posted by: Caminho em Big Field., 0 comments

A tendência natural da alma é viajar entre pólos, especialmente quando sua conexão com um deles começou como obrigação, convenção, comportamento moral ou mesmo como uma obrigatória rebeldia amoral.

Medo, obrigação, culpa e ódio são em geral as forças que mais pressionam a alma contra um de seus pólos, nesse caso, o pior deles.

Assim, presa como uma lagartixa por alguma força que a pressiona contra a parede do sentir, a alma ali fica, até se despregar por alguma razão (geralmente um tragédia ou trauma), e, deixar-se pendular para o pólo oposto, e lá ficar por um tempo (com sorte), ou para sempre, como muitas vezes é o caso.

Outros vão sendo sacudidos de um pólo para o outro, e como são frágeis e reativos, vão indo e voltando sempre, cada vez mais cínicos, cada vez mais impermeáveis a qualquer coisa.

Alternâncias sistemáticas de pólos dolorosos ou desconfortáveis (como é sempre o caso) acabam por gerar cinismo, pois, ninguém agüenta mudar-se o tempo todo para o pólo oposto. Quando isto acontece, o equilíbrio nunca chega, pois, em tal caso, não se encontra equilíbrio, mas sim o cinismo como estabilidade.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Otimismo x Esperança

segunda-feira, agosto 03, 2015 Posted by: Caminho em Big Field., 0 comments

Por Rubem Alves

"Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança. 
Esperança é o oposto de otimismo.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro.
Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.
Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: e no meio do inverno eu descobri um verão invencível...
Otimismo é alegria por causa de: coisa humana, natural.
Esperança é alegria a despeito de: coisa divina.
O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade.
O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre.
A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo.
Hoje, é tudo o que temos (...): morangos à beira do abismo, alegria sem razões. A possibilidade da esperança..."


Trecho da crônica o Otimismo e a esperança, de Rubens Alves, publicado no livro Conserto Para Corpo e Alma.