Mas a realidade de suas vidas é uma espécie de voltar-se para o nada que corrói pelas bordas a vida que recebemos como um presente, dando em troca um arremedo de subsistência.
domingo, 5 de abril de 2015
Domingo da Paixão (Mateus 27:11-54):
domingo, abril 05, 2015 Posted by: Caminho em Big Field., 0 comments
Claudio Oliver
Eu nunca vi um zumbi, mas eu vejo todo dia muitos
mortos vivos, dignos de fazerem parte de "The Walking Dead". Eu vejo
tanta gente cujas vidas estão presas em cativeiro - sede de poder, de dinheiro,
de controle; vivendo nas cadeias de dependência, sob o império de drogas
lícitas e ilícitas - para as quais se sentem atraídos pelos poderes da morte;
muitos movidos por uma permanente mistura de raiva, amargura,
prejulgamento e linguagem agressiva; sempre dizendo "não tem jeito, é
assim que é"; definitivos, vaticinando o que é, sem ao menos explorarem
que poderia ser outra coisa, julgando, anunciando a verdade absoluta. Muitos
destes mortos-vivos não se parecem com zumbis, alguns tem carros esportivos,
usam ternos , e parece que eles têm "tudo sob controle". Outros tem
empregos estáveis, lutam no trabalho do dia a dia, se movem na rotina qual a
vida lhes impõe.
Mas a realidade de suas vidas é uma espécie de voltar-se para o nada que corrói pelas bordas a vida que recebemos como um presente, dando em troca um arremedo de subsistência.
Mas a realidade de suas vidas é uma espécie de voltar-se para o nada que corrói pelas bordas a vida que recebemos como um presente, dando em troca um arremedo de subsistência.
Neste Domingo da Paixão, dá para lembrar uma cena
quase esquecida da morte de Jesus (versos 52-53), quando Ele expirou, além do
véu do templo se rasgar e de um terremoto, conta minha tradição que muitos que
estavam mortos ressuscitaram e entraram em Jerusalém. E isso poderia virar uma
cena de The walking dead... mas a mensagem aqui é outra: havendo morrido algo
em nós, algo que precisa mesmo morrer: o EU que construímos como imagem para
viver essa vida morta, o poder da ressurreição permite que reencontremos a
vida.
Neste domingo de Ramos, celebramos com palmas e
flores a vinda do Senhor para a sua vitória final, damos as boas vindas a um
poder que pode trazer os mortos à vida. E não por meio de uma revolução e
manifestações, mas por fazer morrer aquilo que nos ensinaram que era o único
meio de viver nesse mundo, fazendo embotar a vida que existia em nós.
Aquilo em nós que adormeceu, morreu e embotou
poderá ser acordado e a divisão entre Deus e a humanidade pode ser rompida por
meio desse poder maior que nós, pelo caminho que não exige direitos, mas se
encaminha para a cruz, o paradoxo maior da humanidade.
Coisas estranhas vão acontecer quando o Eu se
crucifica, pessoas podem acordar, enxergar, perceber a vida de morte que levam,
mas quando isso acontece ( e quando acontecer), não será causa de pavor e medo.
hoje lembramos que até mesmo no dia da crucificação, da morte do "eu"
que a sociedade inventou para nós, mesmo que seja dia de morte para uma parte
que aprendemos a construir tão bem, e da qual resistimos em abandonar, é bem
nesse dia quando vemos que ressurreição está disponível, e já está começando.
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